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 História solo de Sarah

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MensagemAssunto: História solo de Sarah   Ter Fev 02, 2010 2:52 pm

Centro Genético – 17/03/10 – 18:32 PM – dia 508.159

Já é o meu 150º aniversário aqui,hoje eu completaria os meus 167 anos.Se não fosse envelhecer uma das limitações que as experiências genéticas me trouxeram,a dor,uma parte da minha rotina a cada manhã.A minha contagem de dias já estava quase me matando.
151 anos e 2 meses.A contagem horária tinha parado no 3º ano.Nunca tive muita paciência.
A porta se abriu,deviam ser cerca de 10:40,o horário onde eu recebia a dose daquele líquido preto diário.Um estimulante talvez...já não importava mais,a dor era menor a cada mês de qualquer forma.A tortura era sempre mais rotineira,mais parte da minha vida,que dirá que aquilo pudesse ser chamado de vida.Eu já não vivia mais,mesmo estando presa aos 17 para sempre,eu era condenada a viver aqui,a ser parte do quarto X,a ser o experimento X,a marca no meu pulso me lembrava daquilo a todo instante.
Eu observava o conteúdo da seringa ser injetado dentro de mim,aquele veneno que me consumia diariamente,ele já não me magoava mais,o que me magoava era que a cada minuto,eu percebia que já não tinha mais forma de escapar daquilo.Deus,se é que ele realmente existia,deve ter me colocado aqui por alguma coisa feita na vida passada.Não me importava mais,pelo menos era o que eu queria passar aos demais,demais que ao contrário de mim,morriam ao passar dos anos,eu já não sentia mais a necessidade de ter amigos,eles sempre iam falecer antes de mim.Já que não descobriram ainda alguma forma de me matarem.
Deve ser isso o que eles procuram aqui: Formas de matar alguém,lenta e dolorosamente.

A porta tinha sido fechada,eu nem dera importância a pessoa que estava me medicando,preferia ficar aqui,mergulhada nos pensamentos que a cada dia eram mais limitados,eu precisava encontrar uma forma de escapar daqui.Mesmo que quando eu saísse,não soubesse viver.Preferiria morrer ao continuar aqui.
Mesmo que isso já tivesse se tornado o meu hábito.
Observando as paredes cinzas,procurei alguma maneira de sair daqui,alguma maneira de...
A porta se abriu de novo.Desta vez eu olhei,já que não era natural que a abrissem neste horário.Uma enfermeira.
Interessante.
Cuidadosamente,prestei atenção nos detalhes de sua roupa,não havia mudado nada desses anos pra cá.Mas,eu fiquei presa no meu detalhe preferido de seus uniformes: a cruz vermelha.
Era interessante a forma como aquilo era irônico,uma cruz,um símbolo de paz,estar pintado de uma cor que simboliza a morte com o seu pior componente.
O sangue.
-Senhorita O’Shea?!-Perguntou ela,em tom de confirmação,observando o meu nome naquela pasta que segurava em suas mãos.
-Devia ter se acostumado com o meu nome,já que eu sou a única que ficou mais de 3 meses aqui.-Olhei pela primeira vez em seus olhos,preocupados,nervosos.
-Sim,perdoe-me.-Ela olhou para o chão,desviando-se do meu olhar,assustador talvez?Claro,nem todos tem uma coloração dourada nos olhos,pelo menos,não ganharam ela ao longo dos anos.
-Tudo bem,não me importo mais da forma como me chamam. X,O’shea,Sarah...estou pouco me lixando.-Olhei para a única fresta de luz que eu tinha,aquela janela,tão grande,e ainda cheia de grades,era tão...reconfortante o fato de pelo menos o Sol não me tratar com indiferença,de certa forma,satisfatório.
-Sim,estou aqui para dizer-lhe que..-interrompi seu discurso idiota,já que seu nervosismo me irritava profundamente.
-Talvez para dar-me o que eu queria tanto receber.-Olhei-a nos olhos,em tom de arrogância,não que eu fosse assim normalmente,mas eu já estava começando a me cansar daquela vida.Precisava impor a minha vontade,mesmo que não valesse de nada.
E não valia.

Mas eu percebi que de repente,seus olhos ficaram opacos,ela encarava o nada,e fechou a porta,saindo do meu campo de vista.
Mas que diabos aconteceu?!

Fiquei parada,encarando a porta,tentando encontrar algum sentido no que eu vi a apenas 2 minutos atrás.
Não,aquilo não tinha sentido algum.Era o que eu concluíra.
Como se minha conclusão tivesse que ser contrariada,ela apareceu,abrindo a porta novamente,seus olhos ainda opacos.Me entregando o que eu mais queria.
A chave daquela janela que eu tanto gostava.
Sim,a janela que era a prova de balas,a janela que eu nunca conseguira quebrar,e a sua chave estava simplesmente na minha frente.
Eu não compreendia aquilo,mas algo me dizia que eu o tinha feito.
Olhei para a chave,ainda admirada.Até que eu percebi que seus olhos iam ganhando foco novamente.Apressada,peguei o objeto de meu desejo,e o escondi atrás de mim.
A enfermeira balançou a cabeça em sinal de manter foco,não se distrair.E me olhou novamente
-Eu lamento dizer que não é possível
-O que?-Perguntei,não entendendo o rumo da conversa.
-Dar-lhe o que tanto quer.
Eu a olhei sem entender.Ela não se lembrava do que ocorreu segundos atrás?
Refleti rapidamente durante aquela fração de segundo.Talvez,aquelas doses pretas não tivessem somente me dado as habilidades extras que eu tenho hoje,talvez,nas últimas semanas,eu tivesse ganhado outra habilidade:
Controlar pessoas
Precisava treinar aquilo,ver se existiam limitações.Isso é...
-Mas de qualquer forma,estou aqui para dizer a senhorita que hoje em sentido de seus experimentos recentes,daremos uma oportunidade a seu banho de Sol.-Continuou ela,interrompendo meus devaneios.

...Incrível!

Rapidamente retomei o rumo da conversa.
-Conseguiram aquela jaula?-Sim,desde que eu ganhara asas,não tive direito a meus banhos de Sol diários,e portanto,estive presa aqui durante alguns meses.
-Não...mas conseguiram uma placa igual a de sua janela,impenetrável.-Ela sorriu simpática.
Como se sorri simpática quando se diz a alguém que essa pessoa agora não pode escapar?Quer dizer,que não tem uma forma de ela escapar durante seu banho de Sol,já que eu tinha a forma perfeita e prática comigo.
Sorri para ela de forma simpática também.Esperando que ela se retirasse e eu conseguisse realizar minha tão desejada proeza.
Escapar.

Floresta de Nanke – 22/07/10 – 05:58 PM

Faziam quatro meses que eu tinha escapado,escapado de forma tão simples,que eu achava ser quase impossível.Mas,nem sempre tudo é como planejamos.Ás vezes sai até melhor.
Ou pior.
Olhei para Looly,o único que me acompanhava,que sabia o que eu tinha passado,não na mesma escala,mas...sabia.Eu o ajudara a escapar.Alguns dias depois de ter fugido analisei qual a saída melhor que eu poderia ter aberto,precisava de companhia.
Só não imaginava que fosse um urso tão pequeno,e que incrivelmente,tivesse ganhado poderes tão incríveis quanto os meus.
Ele podia falar,e isso ajudava muito.Alguém com quem conversar,com quem analisar as circunstancias atuais.Ele era muito inteligente,um amigo,confiável de fato.
-Estamos próximos a Hoolem de acordo com o mapa.-ele riu-Nunca imaginei que eu fosse ler um mapa na minha vida.
Sorri.Olhando para a pedra na qual estávamos sentados,olhando o mapa que tínhamos roubado meses atrás.
-Claro,da mesma maneira que você talvez nunca mais cresça.-Looly,de maneira parecida a minha,perdeu a capacidade de crescer,ele seria sempre um filhote na sua forma física.Porém,sua mentalidade e sabedoria cresciam a cada minuto.Um mini-gênio,diríamos assim.
Irônico até demais.
-Não vamos pensar no passado Sarah.-Ele suspirou por um momento.-Precisamos de mais velocidade,acha que...
-Só posso fazer isso voando,você sabe muito bem.
Correr nunca fora meu esporte.
-Muito bem,portanto,se quisermos chegar antes do anoitecer,precisamos que você ultrapasse os 160 kilômetros por hora.
-Isso é possível,mas não acho que seja necessário.Agüentamos mais um dia sem suprimentos.Bom,com o mínimo de suprimentos.
Desde que escapamos do centro genético,tivemos que saquear cidade por cidade,sempre vagando pelas florestas.Nunca observei detalhes das cidades,mas garanto que muita coisa mudou desde que saí de lá.
-Consegue nos ver chegando lá e conseguindo alimento?-Perguntou-me.
Eu me concentrei,olhei fixamente para o nada.Minhas habilidades futurísticas nunca forma muito usadas,apenas em casos como esse.
Eu via não de forma clara,mas eu podia ver as lojas fechadas assim que chegássemos.Não,não daria tempo.
-Não,não vejo nada a não ser tudo fechado.Vamos passar fome se chegarmos hoje.
-Ah...-Ele se desapontou-Então podemos...caçar por mais um tempo,se não for incômodo para você.
-Por mim não há problema,já quase não sinto mais o gosto.-Mentira,eu odiava total e brutalmente a carne crua que caçávamos.Era triste.
-Hum...a analisar o que vamos ganhar e perder.É melhor mesmo que cacemos.-ele me olhou com pena,pelo canto dos olhos,enquanto observava o mapa com tanto interesse.
-Ótimo.-Disse seca.
O problema é que na verdade,eu queria ditar as regras,fazer o que eu queria.Mas meus conhecimentos não eram suficientes,Looly era minha ajuda,meu ombro amigo,precisava dele,seja de qualquer maneira.Então,eu teria de caçar,fazer o que seus cálculos quase sempre corretos diziam.Ele era a mente do grupo.Eu...a força.Quase sempre bruta demais.Era quase um desequilíbrio da humanidade.

Posicionei-me da forma que achava correta para caçar,fechei meus olhos.Já haviam se passado 6 horas desde minha última conversa com Looly,eu sabia que teria de o encontrar ao nascer do Sol,nos limites da floresta com a cidade.Não dormíamos mais.Ás experiências tiraram essa nossa capacidade tão humana,tão normal.Agora,naquele segundo,ambos nos entregávamos a caça.
Entreguei-me aos instintos.Não que eu gostasse disso,mas a habilidade vinha com a prática,e foram meses praticando.Cheiros não eram comigo,mas eu podia ver e ouvir claramente,e...era um leão que se aproximava,eu podia perceber.O som era claro demais.
Agachei-me mais ainda,me sentindo própria da espécie que estava prestes a caçar.Quase soltando um rugido.

Patético.

Avancei,mas de acordo com o som,alguém resolveu avançar no mesmo segundo que eu.Seria Looly?!Não,ele não rosnava daquela forma.Mas então,tudo o que me lembro,é que a presa escapou,bati meu corpo contra o daquele ser e de repente,percebi suas presas a centímetros do meu pescoço.
Paramos.Ficamos imóveis,apenas nos analisando naquela posição que eu sabia que se não tivéssemos parado,eu teria perdido.
Ela me olhou fixamente,sim era uma mulher,e notei que ela não era humana,era uma vampira.Ela me olhou surpresa,praticamente da mesma forma que eu a olhei,e sorriu docemente em seguida.
-Vejo que você está caçando também.-Ela me disse,seus olhos profundos e tensos.
-Sim,eu estava.-A corrigi-Mas acho que ambas despistamos a presa.
-Não é assim que eu as chamo mas...-Ela hesitou,mudando de assunto em seguida-vejo que você está sozinha.
-Eu estou,por enquanto.Vou me encontrar com um amigo ao amanhecer.

Ela levantou uma das sobrancelhas em sentido de dúvida.

-Amigo?Então...não está só.-Conclui.
-Sim,não estou só.

Ela pensou por um momento,a analisar as circunstancias.Eu poderia matá-la agora,conseguia ver o duplo sentido de tudo.Ela queria meu grupo,queria matar não só a mim,mas a todos.

-Só vou avisá-la que estou ciente do que quer...e não vou ceder.-Avisei-a.
-Hum...e quem disse que eu queria alguma coisa?Não estou com sede,estava caçando por diversão.Eu precisava de companhia,ia saquear Hoolem,mas não poderia fazer isso sozinha.

Observei-a atentamente,poderia eu acreditar nela?Vampiros nunca foram confiáveis a meus olhos.Porém...se ela cometesse um deslize,eu tenho quase certeza que conseguiria matá-la.Seria simples,prático e rápido,pelo menos eu acho que aos olhos humanos.

-Tudo bem,podemos ir juntos,porém,precisamos nos ajudar e cooperar de ambas as partes.
-Ok,cooperarei da forma que for preciso,mutante...-Ela gesticulou,em sentido de saber meu nome.
-Sarah,Sarah O’Shea –Fiz o mesmo movimento.
-Cindy.-Ela disse simplesmente,sem sobrenome.Significava sem contato durante muito tempo.

Ótimo,era o que eu precisava.
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